Segunda Cidade: visão e pragmática

Por António Cerveira Pinto

— a terceira reunião sobre a Segunda Cidade foi particularmente rica em pontos de vista e participação (14 presenças ativas!)

Resumo em palavras minhas e emprestadas as ideias-chaves sobre que convesámos:

  1. A cultura móvel é um recente modo de fruição e conhecimento do património cultural [‘e-património’]. Nas ruas, museus e galerias, residentes e não-residentes (ex.: turistas, homens de negócios, imigrantes, refugiados) ativam estratégias multimodais de comunicação sucessivamente, ou simultaneamente, no espaço real, na realidade aumentada e no ciber-espaço-tempo, apoiadas por meios eletrónicos digitais.
  2. Não sendo objetivo da Segunda Cidade produzir mais uma base de dados, mais um sítio web, mais uma rede social, ou mais um museu virtual, poder-se-ia conceber este novo layer urbano local como um exosqueleto eletrónico, dinâmico, autoral, por meio do qual, por exemplo, os artistas expõem a sua obra através de processos criativos eletrónicos e computacionais originais, mas também através de processos de meta-documentação e meta-criação.
  3. A Segunda Cidade, enquanto protótipo a disseminar no The New Art Fest ’17—dispondo-se para tal de 11 montras do Chiado—terá, por um lado, uma dimensão filosófica (Cidade Semântica), e por outro, uma dimensão pragmática (Lisboa 3.0).
  4. A Segunda Cidade necessita de um Plano Diretor e de um Guião, do qual constem noções básicas de uma construção sistémica: geografia, geometria e topologia, perímetro, centro, centros subsidiários, circuitos, portas principais, regras de uso e comunicação, etc.
  5. A Segunda Cidade deve ser imaginada/projetada como um lugar (espaço-tempo eletrónico/ realidade aumentada/ cidade semântica) e como uma plataforma de serviços partilhados.
  6. O Google Maps, o OpenStreetMap e a Wikipedia são alguns dos paradigmas que nos ajudarão a desenvolver o conceito de Segunda Cidade.

Quarta conversa sobre a Segunda Cidade
20 junho
18:00-20:00
Local: Sá da Costa Editora, edifício da Paça de Camões.

Temas

Síntese 1 (visão) — as novas dimensões da cidade: do smartphone à slow town; da mobilidade e velocidade esquizofrénicas à cidade semântica (a caminho de uma nova totalidade harmónica ou plenitude pós-contemporânea); novo lugar para a cidadania e a cultura (arte).

Síntese 2 (pragmática) — mapa esquemático da extensão eletrónica da cidade (cabo submarino, fibra ótica, satélites, redes wifi, realidade aumentada); plano diretor da Lisboa Semântica* (o bairro eletrónico das artes e do conhecimento; mapas de acolhimento cognitivo para turistas e refugiados); definição dos seus centros, periferias e portas; City Lab (maquetas e experimentação cognitiva/artística; desenvolvimento de novos serviços à comunidade).

* Lisboa SemânticaLisboa 3.0 são duas designações que poderão ocupar lugares diferentes no programa da Segunda Cidade. Lisboa Semântica dirá sobretudo respeito à visão filosófica da Segunda Cidade, enquanto Lisboa 3.0 se referirá à sua pragmática (guião, plano, organização, sistema e algoritmos generativos, tecnologias, orçamento, financiamento, gestão de projeto, promoção, representação institucional, etc.)