Segunda Cidade / notas

Por André Sier

focar num objecto, plano director, um site, um serviço, uma app.
a segunda cidade utópica, navegar nos mapas reais, nos mapas simbólicos, nas regiões, nas suas histórias, nos conhecimentos, como uma tertúlia entre o eu e guias virtuais, virgilio e dante, onde se elucida, discute, viaja, formula. uma com

O mapa não é o território.
O território também é o mapa.

1. século xxi trás-nos o ciberespaço na palma da mão. a ubiquidade instantânea, a ilusão de navegarmos a qualquer parte do mundo conhecido (google maps e earth). no entanto ainda estamos ligados a empresas e às suas infra-estruturas, serviços, nas quais somos moeda de troca para um mundo que priveligará cada vez mais a data e os dados de forma a criar conteúdos vendáveis, lucros. terá de ser algo da rede e para a rede, que nasça na rede, alheado de perspectiva capitalista-comercial. a verdadeira rede entre os homens e as máquinas, uma entidade omnisciente que interliga formas de vida, átomos inter-conectados com forças de atracção a outras partículas, uma espécie de dharma budista, uma gaia, um plano onde toda a energia vital está entrelaçada e se relaciona, quando a rede se confunde com a rede da vida.

2. três imagens fundamentais que me ocorreram para a cidade global vindoura. o aleph na biblioteca de babel (borges). hologramas e holodecks no pulso. atemporalidade e aespacialidade. atemporalidade quando vários instanstes temporais colidem no mesmo espaço. aespacialidade quando vários espaços colidem no mesmo tempo. um mapa dinâmico que reporta qualquer imagem que qualquer espaço já emitiu, ie, o sonho do google earth. ex: estar no principe real e ver a panóplia de imagens que aquele espaço já teve ao longo de toda a sua história, no mesmo instante, em diferentes perspectivas, numa cacafonia harmónica presente no mesmo instante. um mapa de fluxos de pessoas, trânsitos urbanos, o homem da câmara de filmar, o homem da internet de partilhar.

3. o esboço da minha colaboração para este projecto seria uma tangente a estas ideias. mas precisam de tempo e de espaço e de meios para se concretizar. uma aplicação que mostra num holograma virtual todos os que estão ligados próximos de nós, a andar na rua, e simultaneamente oferece-nos imagens interactivas da época temporal do espaço que estamos a visitar. um dia, um século atrás, um dia, dois séculos à frente. uma app de realidade aumentada e ou apenas virtual que colidisse todos os tempos passados e futuros na mesma imagem. uma aproximação a esta ideia que posso executar até novembro seria introduzir as minhas esculturas/arquitecturas autómatos celulares em escala habitável de forma aumentada numa aplicação de telemóvel, ou imagens onde estas peças estivessem introduzidas na realidade sem qualquer distinção.

— 9 de maio 2017