Cultura móvel para a comunicação urbana e turística

Por Pedro de Andrade

— uma Rede de Conhecimento Cultural para a Cidade e Turismo ‘Aumentados’

Sumário (Português)

Segundo John Urry, a  cultura móvel constitui um paradigma emergente nas atuais  sociedades móveis, onde os processos, capitais, atores e coisas, e a natureza da cultura, movem-se e transformam-se continuamente. A cultura móvel é um recente modo de fruição e conhecimento do património cultural, articulado às  mobilidades e discursos sobre o urbano. Hoje, no espaço público das ruas, museus e galerias, cidadãos e turistas ativam estratégias multimodais de comunicação cultural urbana, amiúde apoiadas em  media digitais e no ciberespaço/tempo móvel, para conhecer e desfrutar ambos o património material (monumentos, obras de arte) e o património imaterial (música, ‘e-património cultural’).

Os telemóveis ativam aplicativos incluindo  Realidade Aumentada para perfis de consumidores como jovens e turistas: i.e. apresentam localidades reais em imagens, vídeo ou 3D, e informação ‘em tempo real’ sobre elas. Esta tendência inaugura uma cultura urbana e turismo ‘aumentados’, onde a realidade dos ‘tempos livres’ aos horários laborais, é reforçada pela articulação entre entretenimento espetacular, informações pertinentes sobre lugares visitados e eventos culturais.

As cidades de Braga e do Noroeste têm acompanhado tais estratégias de desenvolvimento inteligente para a cultura móvel, como  Braga Cidade Criativa Unesco e  Smart City. Além disso, no quadro das  sociedades de risco coevas (Ulrick Beck), importa refletir sobre riscos como o fetichismo da cultura urbana digital e a reificação do mercado turístico; ou as suas potencialidades, por ex. uma troca inter/transcultural mais intensa na urbe e um melhor conhecimento das sociedades visitadas pelos turistas.

Para discutir esta História do desenvolvimento regional, da cidadania urbana e das atividades culturais e turísticas em Braga e Noroeste, foi constituído um projeto de investigação e rede de participação incluindo parceiros internacionais, nacionais e locais na região Noroeste e Lisboa: Universidade do Minho, Câmara Municipais, empresas, associações e comunidades. Eis algumas questões de partida: qual é a extensão da cultura móvel em Braga? E como este processo condiciona a natureza e a qualidade das atividades culturais e turísticas na região Noroeste? Uma hipótese: os processos, métodos e dispositivos sociais e digitais, associados à cultura móvel, podem incentivar e ‘aumentar’ a comunicação inter/transcultural entre os cidadãos, e entre estes e os turistas. Por ex. pelas estratégias de mobilidade de estilos de vida/lazeres, companheirismo móvel, sustentabilidade da indústria turística e turismo cultural ‘lento’.

Um  estudo de caso testará criticamente esta hipótese, aplicando metodologias sociológicas qualitativas e quantitativas, algumas usando novos media. A amostra inclui cidadãos, turistas e funcionários de instituições culturais (museus, galerias), e agências de turismo em Braga e região do Noroeste.

Um  portal público disseminará os resultados e medirá o impacto social, económico e cultural, do projeto. Mais especificamente, o projeto inclui as etapas principais seguintes, em articulação com os participantes:

Mais especificamente, o projeto inclui as etapas principais seguintes, em articulação com os participantes:

1. Reflexões, partilha de comentários e debates sobre questões e temas do projeto, através de bibliografia de textos históricos, sociológicos e antropológicos, estatísticas, mapas, documentação de políticas urbanas, culturais e turísticas, etc. Esta etapa será realizada por membros e consultores do projeto, bem como por investigadores estrangeiros, Câmaras, associações e instituições culturais da região Noroeste e de Lisboa. Na capital, o projeto articula-se com a iniciativa e movimento Segunda Cidade, que promoverá em 2017 a segunda versão do evento The New Art Fest, onde algumas das ideias referentes à cultura móvel serão debatidas e difundidas.

2. Estudo de caso, sociológico e empírico (questionário, entrevistas, biografias, observação direta, análise de conteúdo e discurso) sobre Braga e região Noroeste, levado a cabo por membros do projeto, Câmaras, associações e instituições culturais do Noroeste.

3. Realização de dispositivos em intermédia, por membros e empresas de Braga e Lisboa.

4. Disseminação dos resultados, por e para membros de Braga e Lisboa, comunidades locais e colegas estrangeiros.

Abril-Maio de 2017