Bebinca Town

Por António Cerveira Pinto

— Achei uma tradução inglesa para a Segunda Cidade: Bebinca Town.

Open Eindhoven: a cidade é uma espécie de Bebinca. Da ‘archaea’ à pré-história, à contemporaneidade e depois (período post-contemporâneo/ ou pós-humano)

O Rudolfo Quintas fez-me chegar uma notícia sobre Open Eindhoven cuja afinidade com a Segunda Cidade é evidente. Johann Wolfgang von Goethe  chamava a estas concomitâncias intelectuais e de sensibilidade afinidades eletivas. Pois aí está, de novo!

O horizonte de Living Data City, embora mais generalista e embalado no entusiasmo tecnológico de agora, contém informação e ideias preciosas para a nossa reflexão.

Espero, em breve, encontrar um espaço para montarmos o City Lab Lisboa, onde possamos sujar as mãos e os teclados e deixar os vestígios das tempestades mentais à vista de todos. Na pintura, sempre gostei das velaturas mais leves e espontâneas, e das acumulações sinceras e pastosas de óleos e acrílicos, testemunhos de um processo de chegada à forma e à realização pessoal de uma obra de arte. A Segunda Cidade, com o seu City Lab e a sua Post Art Gallery (Margarida Sardinha vê nesta galeria um sistema aberto de meta-documentação*), não pretende reduzir-se a um manifesto artístico pós-contemporâneo, mas lançar mesmo as bases teóricas/críticas e pragmáticas de uma Segunda Cidade enquanto consciência da extensão digital do corpo e da mente humanas. Precisamos, por isso, de artistas, poetas, arquitetos e até de académicos!


Margarida Sardinha (extrato de um email que me enviou)

– acho que o projecto se devia firmar por ser um continuo protótipo e nunca ser apresentado como um produto final
– seria assim um time-based exoesqueleto da cidade e dos artistas que nela habitam
– evoluiria à medida que a cidade evolui e que os artistas também evoluem
– acho que grande parte do projecto se relaciona com conceito de documentação ou meta-documentação como é o caso de POST ART — museus e galerias, institucionais e alternativos, reais e virtuais, da cidade de Lisboa. e também nas eventuais imagens do seu próprio trabalho e exposições que os artistas irão de uma maneira ou de outra adicionando ao projecto ao longo do tempo.
– a noção de meta-documentação que é outra maneira de pensar sobre metadata apesar de não se aplicar directamente a ideias web-specific em que não exista nenhum acto documental, aplica-se sem dúvida alguma à ideia de mapa e é um dos conceitos centrais para a necessidade de existência da internet
– além disso a ideia de meta-documentação é uma constante na arte que através dos tempos procurou “documentar” o real e o abstracto na timeline da raça humana
– a meta-documentação é uma ideia transversal a todas as artes pois todas elas têm os seus requisitos para o seu efeito, concretamente nas artes visuais a ideia moderna e pós-moderna de meta-documentação está ligada à ideia de reprodução tipográfica ou outra, e contemporaneamente está ligada à reprodução digital

Estes tópicos foram pequenas ideias que me surgiram e não sei se o António concorda com eles mas acho que deviam ser de alguma maneira debatidos e/ou explorados no projecto. Numa primeira impressão confrontada com a ideia de meta-documentação sugeria que todo o conteúdo do projecto se assumisse totalmente como sendo uma documentação, de uma documentação, de uma documentação, de uma documentação de maneira que os artistas poderiam reciclar material documental passado criando assim novo trabalho documental. Quanto aos museus e galerias sugeria que eles fizessem o mesmo, isto é, usando material de documentação disponível criarem uma ultra-documentação. Talvez uma ideia demasiado radical para ser implementada tal e qual como a estou a descrever mas mesmo assim acho que poderia ser uma linha de pensamento a considerar.