A cidade generativa e o tempo

Por António Cerveira Pinto

— Estou a terminar a leitura dum livro extraordinário de Chistopher Alexander (The Battle for the Life and Beauty of the Earth— A Struggle Between Two World-Systems) sobre um dos seus mais famosos projetos: o Eishin Campus, construído no Japão entre 1981 e 1986.

Heishin Campus by Christopher Alexander and his associates from Center For Environmental Structure

The teacher is the feedback you gain with experience—Christopher Alexander

Chris Alexander desenvolveu um sistema produtivo (de criação) a que inicialmente chamou pattern language. Este conceito evolui entretanto, dando origem a designações mais precisas, como generating system, generative code.

The colossal importance of the generating system is that it is precisely this which makes us creative. Through the ordering of space it enables us to be creative. In our general behavior in society, it creates and makes possible a coherent, practical, and harmonious arrangements in the world around us. The generative systems does this for us in a vast range of different versions.

[Alexander, Christopher. Op. cit.]

Esta leitura e esta referência ajudaram-me a perceber que mapear uma Segunda Cidade, nomeadamente a partir dum protótipo como Lisboa 3.0, terá que saber misturar de forma sábia a complexidade recente, que a ciência e as tecnologias aportam, com uma complexidade anterior, mais profunda e mais importante, que é a forma dada à forma pelo próprio tempo. Neste sentido não é indiferente o lugar que o pós-humano vier a ocupar nas nossas vidas.

PS: ao ler este livro surgiram-me a dada altura as seguintes ideias: slow city, slow town e slow architecture.